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Pronunciamento do Governador Paulo Souto

"Feliz e dignificado, retorno a esta casa, mais uma vez transformada em templo de oferendas sentimentais.

A ela retorno para receber uma homenagem a que nem sei se tenho direito.

Tenho certeza que este não é apenas o meu sentimento, mas de todos nós que estamos aqui reunidos nesta noite tão grata.

Digo receber homenagem, porque dividir com Antônio Carlos Magalhães qualquer espaço;

Seja o geográfico, seja o histórico, seja o sentimental, é uma forma de sermos homenageados, muito mais que homenageá-lo.

Nesta noite a festa é dele, e, no entanto, é ele quem nos presenteia, hoje como sempre, com aquilo que de mais nobre e sagrado o homem tem para oferecer ao seu semelhante – e nele sobra -, que é o exemplo, o bom exemplo.

Eis aqui perante nós e dentro de nossos corações sem dúvida a mais pontificante das figuras públicas deste país.

Tudo o que dele se quiser, tudo o que por ele ou para ele se fizer, inclusive esta justa e oportuna homenagem pelo seu desempenho como presidente do Congresso Nacional; por mais vibrantes se tornem os aplausos a sua passagem; e mais repletos os cântaros de água-de-cheiro das baianas de todas as colinas sagradas por onde ele passar; e que se encham de calor humano os recintos com sua presença; tudo terá sempre uma dimensão menor que a do seu merecimento.

Ao falar de Antônio Carlos Magalhães, confesso a suspeição dos amigos em permanente estado de graça por conhecê-lo; por respeitá-lo e admirá-lo; por tentar segui-lo na grandiosidade de seus gestos; na coerência de seu comportamento; na firmeza de seu caráter; no amor incontido, leal e renovado, por sua terra e sua gente; mas por tentar acompanha-lo sobretudo, na energia com que ele se dá as causas que abraça.

Este é, seguramente, o traço mais característico da personalidade de Antônio Carlos Magalhães.

Com a sua permissão, senador, gostaria de tornar público o conteúdo do cartão de aniversário com que eu e outros amigos seus creio temos definido bem o traço característico de sua personalidade.

Escrevemos naquela oportunidade:

Há o ACM dócil, o ACM indócil; o ousado e o precavido; o conservador e o templário. Há ACMs dentro de ACM.

Em qualquer deles, porém – o que afaga ou o que fustiga, o que apaga ou o que incendeia -, vibra sempre, e sempre integral, a alma jovem do homem.

E concluindo:

Obrigado ACM.

Em sua companhia, a gente aprende que é possível rejuvenescer com a cabeça branca.

Porque, meus senhores, minhas senhoras, a esta altura creio dispensável falar de Antônio Carlos como administrador competente;

Como inovador de práticas de moralização no trato da coisa pública;

Como advogado das grandes causas populares; é dispensável falar de Antônio Carlos companheiro honesto, leal e fiel até as últimas consequências; do homem que oferece o outro lado da face para que lhe cobrem os pecados;

Mais que também sabe cobrá-los aos adversários, com a mesma intransigente coerência;

É dispensável falar de ACM como pai e orientador de estrela da grandeza de Luís Eduardo;

Ou do homem intimorato, cuja voz se eleva diante dos fortes e se transforma em sussurro diante dos fracos.

Outros em sua situação se contentariam em viver de suas glórias, seus lauréis e seus troféus;

A olhar no seu passado nele se encontrar vitorioso e realizado;

E permitir-se na vaidade dos mortais a contemplação de seus bustos e seus monumentos;

Saber-se presente em grandes obras públicas; sentir-se uma legenda viva e ser aplaudido pelas ruas; ou simplesmente recolher-se à sua redoma, certo do dever cumprido.

Mas não. Seu espírito irrequieto não permite.

Talvez valha acrescentar aqui uma inconfidência. Quando o acompanhei em dois governos, confesso que algumas vezes, na intimidade do meu juízo, possa tê-lo julgado impaciente, excessivamente severo.

Hoje com apenas pouco mais de dois anos no governo, bem mais jovem, e portanto com muito mais razões para suportar as suas vicissitudes, perdôo e relevo tudo o que então me pareceu em excesso. Quero dizer que depois de três governos e de tantas outras passagens na vida pública, poucos exemplos poderei conhecer de paciência, de tolerância e de desprendimento, associados, é claro, à indeclinável obrigação de todo homem público de considerar sagrados os recursos do povo. Que deus me ajude a em apenas um governo ter a paciência que o senhor teve em três...

O que me pergunto sempre, e o faço agora, é de onde vem tanta energia.

Porque em qualquer dos ACMs que se queira festejar – e são muitos – O prefeito visionário; o governador três vezes aclamado pelo povo; o ministro da integração; o senador da independência; o amigo; o líder; o advogado...

Em qualquer destes ACMs sobressai sempre renovada a alma jovem do homem que a neve dos cabelos não dobra, nem a certeza do dever cumprida aposenta.

Este para mim é o exemplo mais vivo e construtivo que Antônio Carlos Magalhães passa aos brasileiros de todos os Brasis, de todas as ideologias, de todas as idades, e credos e crenças e cores.

Para este homem, meus senhores, minhas senhoras, o tempo é o instante que se renova, e ele o renova a cada dia.

Ele será sempre um sem-terra em busca da terra da promissão que certamente não encontrará.

Não vai encontra-la, porque a terra prometida de seus sonhos estará sempre adiante da sua retina contemplada por paisagens e dias melhores para sua gente, para a gente amada de sua Bahia.

Por mais que se assentem no campo os trabalhadores, e a enxada volte ao coração da terra, na perspectiva da construção; por mais que para aqui se tragam os investimentos, na perspectiva de progresso material; e que o Brasil um dia se embale na rede de Caymmi, na perspectiva de felicidade; e cante Caetano e Gil, na perspectiva de celebração; e cada dia se leiam mais Jorge e Zélia, na perspectiva do progresso espiritual; e das ruas se retirem todas as crianças abandonadas, na perspectiva do respeito ao ser humano; que as casas legislativas; que o poder judiciário e o poder executivo cumpram por inteiro o seu dever, na perspectiva do civismo;

Por mais que se recomponham os tecidos sociais abertos pelas injustiças coletivas, na perspectiva de um Brasil mais justo;

Nada, ninguém vai mudar o jeito, muito menos o espírito sem-terra desse peregrino andaz, cuja caminhada não tem ponte de descanso; nem hora de retorno; nem dia de capitulação, na perspectiva de um novo alvorecer.

Este é Antônio Carlos Magalhães, a quem a Bahia cultua e a quem neste momento, em nome dos baianos, quero reverenciar como o mais genuíno dos patrimônios tombados pela nossa eterna gratidão.

Obrigado, senador.

Que Deus continue a iluminar os passos da sua caminhada, em busca da terra de nossos sonhos."

                                                 Paulo Souto

                                           Governador do estado

Homenagem proferida na Associação Comercial do Estado da Bahia em 16/05/1997

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